Pô, agora que vi... tem um tempão que não atualizo esse negócio. Preciso tomar vergonha na cara...

Escrito por Felipe de Paula às 10h46
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Cuspir

         Caro leitor, hoje me sinto compelido a fazer-lhe uma pergunta pessoal. Posso? Caso não queira responder, peço que abandone a leitura deste texto. Vou acrescentar umas reticências para ajudar-lhe ... e ... Pronto! Se você continua lendo não me responsabilizo por eventuais constrangimentos, ok? Não precisa se preocupar, não é nada sério. Apenas fiz o alerta para que conservadores ao extremo não venham condenar-me por minha sandice crônica. Certo, deixemos a minha habitual “barrigada” e vamos ao que interessa. Próximo parágrafo!

         Caro leitor, você...permita-me formular bem a questão. Hummm... Por um acaso, você – meu leitor – já teve vontade de dar uma cuspida? Mas espere antes de responder. Não é uma cuspida comum, em qualquer lugar. É uma cuspida que requer uma localização espacial favorecida: de cima. Quando em um prédio – janela, varanda, sacada...tanto faz – você já teve a, quase incontrolável, vontade de dar uma cuspida lá para baixo? Um ato simples. Olhar para baixo, checar o “alvo” (sempre o chão, que fique bem claro!) e cuspir. Após a cuspida, entreter-se por rápidos instantes com as evoluções que o cuspe faz pelo ar. Já passou por esta experiência? É interessante. Se Lulu Santos disse que tudo muda como uma onda no mar, alguém poderia dizer que tudo muda como um cuspe no ar. Ele nunca sai (e cai) igual. A velocidade e a trajetória são definidas pelo peso (quantidade de cuspe) e pela influência do vento. Imagino que os meus leitores que nunca se arriscaram por este, digamos assim, esporte, devem estar pensando o que há de interessante em um cuspe caindo. Ou, mais provavelmente, devem estar pensando em quanto este escritor é insano, alienado, demente, pirado, maníaco, louco, desvairado, doido e outras definições menos educadas do que as listadas acima.

         O “esporte” da cuspida pode ter momentos de forte emoção. Vamos dizer que, graças a um forte vento inesperado, você perca o controle da trajetória do projétil (Nossa! Me superei!). O vento pode carrega-lo para próximo, muito próximo de uma cabeça inocente que caminhava pelo campo de provas deste malacafento esporte. Algumas vezes o projétil pode se aproximar até demais de alguma cabeça desavisada...neste caso, recomendo que se recolha rapidamente a cabeça para dentro do prédio. Conselho simples que pode evitar alguns transtornos. Vamos, meu caro leitor...antes de começar a me criticar, tente arriscar dar uma cuspida lá para baixo. Vamos...não tem ninguém olhando! Porém cuidado, não vá ficar viciado. Ainda não fui informado de nenhum caso de compulsão pelo esporte, mas nunca se sabe! Arrisque mandar um “balaço” lá pra baixo! Confira antes o terreno, checado este item não há maiores preocupações  de segurança. Depois me conte sua experiência.

         Escrevendo esta crônica, me ocorreram duas coisas: a primeira: Por que escrevemos cuspir? Quando falamos, todos emitimos o som “Guspir”. E por que diabos se escreve com “C”? E a segunda coisa: O escritor corre um sério risco. Sabe qual é? A falta de assunto. Quando não se tem assunto para escrever, a humanidade corre sério risco de ser obrigada a ler um texto como este! Cruz credo! É melhor tomar cuidado com a falta de assunto (ou seria falta do que fazer??) Bem, independente do que seja, é melhor eu parar por aqui. Você, meu querido e estimado leitor não merece o sacrifício de continuar encarando estas baboseiras. Até breve!



Escrito por Felipe de Paula às 02h33
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Rituais de Passagem

Todos nós já ouvimos falar dos rituais de passagem. Algumas culturas dão um excepcional valor a determinados acontecimentos que, para eles, marcam uma mudança na vida do indivíduo. Nós também passamos por um marco deste tipo. Quer dizer, passamos por diversos, mas hoje eu gostaria de destacar um: A 5° Série!

         Posso imaginar a cara que você, meu leitor, deve estar fazendo neste momento. Quinta série? Ritual de passagem? O que este sujeito tem na cabeça? Tá certo, tá certo...eu entendo sua posição, mas você deve compreender a importância que alguns fatos da quinta série têm na vida de toda criança. Ou adolescente? Ou pré-adolescente? Sei lá! Não importa! O que desejo é falar um pouco sobre a importância da referida série.

         Caso você já tenha passado da casa dos quarenta talvez conheça a quinta série como primeiro ano ginasial, mas não tem problema, a importância continua a mesma. Estou enrolando muito hoje, não é? Preciso estabelecer mais objetividade em meus textos, não posso ficar desviando do assunto a todo instante! Por falar nisso, meu leitor, você viu a novela das oito ontem? Não? Você não sabe o que...opa! Lá vou eu de novo! Prometo que tentarei me comportar, vamos voltar para a quinta série! ...Não, meu querido! Não é isso! Não precisa reclamar...se você já está na oitava série não precisa voltar para a quinta! Eu quis dizer que vamos voltar a falar da quinta série. No próximo parágrafo, certo?

         Pronto! Estamos aqui! Bem, como eu dizia, é na 5° série que ocorrem importantes mudanças na vida do estudante. É lá que, pela primeira vez, você deve chamar o professor de professor! Vejam que fato “impactante” psicologicamente para um estudante: Ele não pode mais chamar a tia! Tia, agora, é só a irmã de seu pai ou de sua mãe. Ou alguma amiga da família, ou a vizinha, ou...qualquer mulher mais velha, menos a sua professora! Isso pode causar profundas alterações na percepção de mundo do jovem estudante em formação. Nossa, esta última linha está parecendo tratado de psicologia! Preciso parar de ler tanto, perigo ficar inteligente! E, você sabe, não é? Isso seria o fim de minha carreira! Quer outro fato que torna a 5° série tão importante? Aqui vai: É lá que o P.E.S.T. * vai escrever de caneta, abdicando da companhia de seu lápis que o acompanhou durante tantos anos. Não o mesmo lápis, mas a classe em geral. Estou generalizando, até porque um lápis apenas não seria suficiente para tanto tempo na escola.  Percebe agora a importância deste momento na formação de todos? E tem gente que reclama da pressão na época do vestibular! Hunf! O exame é fichinha perto deste momento conturbado que é a 5°série.

         Não ter mais tia (só a da família! Não é a mesma coisa...), passar a escrever de caneta, abandonar o lápis...são tantos fatos marcantes, fatos que exigem muito de todos. Momentos que ocasionam uma violenta pressão psicológica sobre o pobre P.E.S.T. (E.S.L.)** que até hoje não entendi como resistimos a tudo isso. Talvez eu não tenha entendido por passar muito tempo pensando nestas bobagens que escrevo...

 

* P.E.S.T.: Pobre estudante sem tia. Abreviei para economizar linhas e o texto caber aqui!

** P.E.S.T. (E.S.L.): Pobre estudante sem tia (e sem lápis). Abreviei pelo mesmo motivo do ponto anterior.



Escrito por Felipe de Paula às 02h30
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Bom gente, conforme vocês podem perceber em meu perfil aí do lado direito da tela, estou de volta a Bahia! Graças a Deus!!! Estou de volta e por isso volto a postar textos. Como desconto vou postar dois hoje, ok? Mandem seus comentários sobre o blog, ok? Continuo no e-mail: felipeuesc@bol.com.br

Escrito por Felipe de Paula às 02h29
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Olá para todos! Agradeço demais todas as mensagens que tenho recebido. Peço desculpas a todos que enviaram mensagens cobrando textos novos. Realmente estou a um tempão sem escrever. Mas tenho um motivo justo, me mudei em Março para Curitiba, Paraná. Estou sem acesso frequente a internet e ando meio sem tempo. Em breve volto a escrever, ok? Muito obrigado mesmo por todos os elogios. Qualquer coisa estou às ordens para um bate papo através do e-mail: felipeuesc@bol.com.br

Escrito por Felipe de Paula às 14h19
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Siglaslândia

Outro dia eu estava reparando na “paixão” que o brasileiro tem por siglas e abreviações. Ainda não conheço outros países, portanto não posso afirmar que esta característica seja exclusivamente tupiniquim. Mas, preste atenção e perceba como nossas vidas estão rodeadas de siglas.

         Para você “ser alguém” do que precisa? Precisa de um RG. Não vá pensando que as siglas são exclusivas dos adultos, desde crianças convivemos com elas. A criança pode assistir desenhos no SBT, programas educativos na TVE. Vai para a escola e se “aprontar” vem a frase em forma de ameaça: -Vai para o SOE!

         A criança vai crescendo, vira adolescente e chega a hora de escolher uma universidade: USP, UFPR, UFBA, UFRJ, UESB, UESC,  e assim vai. Passa no vestibular, entra na universidade, o que encontra? Encontra o DA, que é afiliado ao DCE, que é afiliado a UNE, que é afiliada...

         Quando adulto não é muito diferente. Se resolver fazer uma viagem poderá escolher: TAM, VARIG, VASP, etc, etc, etc... Se ligar a TV poderá escolher: CNT, TVE, SBT. Tem TV por assinatura? Melhor ainda: CNN, GNT, PSN e mais e mais. Se for assistir o noticiário esportivo vai saber mais sobre as decisões do COB e do COI, as bobagens da CBF. Gols do campeonato alagoano de futebol: CSA X CRB, ASA X CSE. Termina o esporte, começa o noticiário político: FHC, ACM...para piorar ainda mais vem o horário político: PMDB, PT, PSDB, PTB, PFL, PC do B.

         Pagar o IR, INSS, INPS, IPTU é tanto “I” que nem me lembro mais. Além disso ainda tem CPMF, o RENAVAM do DETRAN. Eu estava pensando: Se ficar doente, para onde a pessoa vai? Vai para o OS. Não tem dinheiro? Vai para a fila do SUS (antigo INAMPS). Entra na fila para fazer a ficha, passa o dia inteiro esperando e quando chega a sua vez a atendente diz:

-         Precisa do RG e do CPF

         Como você não trouxe e já está revoltado com tanta letrinha, você manda a atendente e as siglas pra PQP e volta para casa sem ser atendido. Agora, se a doença incomodar muito, passe na farmácia e compre um A. S..

Escrito por Felipe de Paula às 13h54
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Lembram do Kit?

          Ontem pela manhã fui até a garagem procurar uns badulaques. Nada muito importante, só alguns utensílios domésticos que eu não encontrava dentro de casa. A garagem é um lugar interessante da casa, não é? Nem sei se faz parte da casa, mas que é interessante é! Não serve apenas para guardar o carro, muitas vezes nem carro a pessoa tem. Na garagem estão todas aquelas porcarias que não servem para nada e você insiste em procurar. Esta busca demora tanto que, quando você encontra, acaba esquecendo para que queria aquilo.

         Deixe-me parar de enrolar e ser mais direto, eu falava que fui até a garagem procurar uns badulaques perdidos. Chegando lá, fui tratando de abrir algumas das milhares de caixas empoeiradas que lá estão. Sempre que entro lá prometo para eu mesmo fazer uma limpeza, nunca faço, mas prometo. Bem, já estou saindo do assunto de novo, vou retornar: Estava eu abrindo uma das caixas quando, lá no fundo, vi uma pequena bolsinha de pano, mais suja que chão de galinheiro. Pensei comigo: Que diabo é isso? Enfiei a mão e puxei-a, qual não foi minha surpresa ao ver que se tratava do kit de primeiros socorros.

         Se você disparou um "Ãnn??" ao ler as duas últimas palavras da linha anterior, meu amigo, você está com uma memória fraca desgraçada! Lembra do kit de primeiros socorros que, durante algum tempo, foi obrigatório em todos os carros? Então, é esse! Com a bolsinha na mão, passei a ler as informações escritas nela: Este kit contém: 1 rolo de esparadrapo pequeno, 1 tesoura de ponta romba, 1 bandagem de tec. Algodão triangular, 2 rolos de atadura de crepe, 2 pacotes de gaze, 2 pares de luvas de procedimentos. Lei de 23/09/97. Abri o kit e avistei que todos os elementos permaneciam intactos dentro da embalagem. Peguei a tesoura e pensei: Para que serve isso? Coloquei o dedo indicador da mão esquerda entre a tesoura e apertei com força, resultado: Nem um arranhão! Nadica de nada! E ainda dizem que aquela tesoura, mais cega que o Stevie Wonder, servia para cortar o cinto de segurança! Coloquei a ferramenta "deficiente visual" na bolsinha e passei a ler novamente a lista de materiais do kit. Após terminar, apenas uma pergunta passou pela minha cabeça: Quem seria o magistral médico capaz de salvar alguém com estes produtos? Nem o pessoal do Plantão Médico resolveria uma situação dessa!

         Após revirar a garagem, resolvi deixar minha procura de lado. As coisas que eu procurava eram tão antigas que já deveriam ter ido para o lixo. Ao sair da garagem, senti que o estômago roia. Começou a me bater uma fominha e fui até a cozinha comer alguma coisa. Revirei tudo e só encontrei um prato: Carne seca. Cozinhei e, enquanto comia, pensei: Engraçado, só tinha carne seca...carne seca, em alguns locais do país, é chamada de jabá...será que isso tem alguma relação com a história dos kits de primeiros socorros??? Ai, ai, esse país tem cada uma...



Escrito por Felipe de Paula às 09h01
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Barzinho

         Um dia desses estava sentado em uma pracinha no centro da cidade, juntamente com minha noiva. O local é agradável, uma grande árvore, alguns bancos e – por estar em um plano mais alto – permite uma boa visão panorâmica de todo o ambiente que a cerca. E, os dois ali sentados, começam a observar um estabelecimento que fica na quadra ao lado, um típico barzinho. Desses que existem aos milhares, espalhados Brasil a fora, com música ao vivo e alguns personagens que comento abaixo.

         Eu, particularmente, pensava nos personagens desses bares. É interessante ver que, de norte a sul, em todos os barzinhos, existem os mesmos personagens. Talvez o mais tradicional seja aquele homem de meia idade que vai “caçar” alguma garotinha nesses locais. No fundo ouve-se em um violão desafinado: “-Meu peito agora dispaaaara....vive em constaaante alegria....amor i love you, amor i love you....”. Percebam que não fui muito brega na escolha da trilha, não? Sim, como eu dizia, geralmente o “caçador” a que me referia não obtém muito sucesso. Na mesa ao lado você pode encontrar a solteirona convicta, quarenta e poucos anos, que vai ao barzinho tentar conquistar algum garotão. Geralmente o melhor resultado que ela obtém é ir embora com o “caçador” a que me referi acima.

         Algumas mesas ao lado, temos outro exemplo tradicional: o casalzinho jovem que sempre discorda em tudo. O cara é o empolgado. Aquele que batuca na mesa acompanhando Mulheres do Martinho da Vila que toca na música ao vivo. Ele parece sempre estar encantado com todo o ambiente ao redor. Já a mulher dele é a mal humorada. É aquela que estava a fim de assistir a novela das oito, mas como o marido disse que ia sair, ficou com medo dele aprontar e resolveu fiscaliza-lo. A cada demonstração de alegria do sujeito ela o repreende. São dois chatos juntos. Estilos diferentes, mas igualmente chatos. Invariavelmente acabam a noite brigando e voltando para casa para no sábado que vem a história se repetir. Ao lado do casal está o deprimido. Nada está bom para este cara, não entendo porque ele saiu de casa. Está sempre sozinho em uma mesa e faz esporádicos percursos até o balcão sempre para tentar deprimir alguém. Acaba a noite na mesa, acompanhado por um copo de uísque e observa os gelos passearem dentro do copo. É o último a ir embora – não antes sem chorar nos ombros de algum infeliz.

         No fundo do bar, junto à parede, vemos uma mesa vazia. É a mesa do metido a inteligente. Aquele cara que gosta de ficar observando os outros e analisando o seu comportamento. Este tipo geralmente gosta de escrever. Escreve mal pra caramba, mas não desiste...talvez acredite que com o tempo ele possa melhorar! Coitado. Acho que a tendência é piorar...opa! Já passa das oito e meia da noite! Está na hora de sair. Encerro este texto, antes que alguém pegue a minha mesa, ok? Um abraço e até a próxima!



Escrito por Felipe de Paula às 17h22
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Emergência

                   Vou confessar aqui uma pequena fantasia que tenho. Não, não é isso que pode estar imaginando! Não é nada de sexual, as leitoras mais pudicas podem abrir os olhos e continuar lendo o texto. É apenas uma bobagem que, quase sempre que saio a rua fico com vontade de fazer.

                   Devido as minhas limitadas possibilidades orçamentárias – bonita explicação para a “dureza”, não é? – sempre que preciso ir a algum lugar mais distante faço uso do Golf. Não é o veículo da Volks não, é o Grande Ônibus Lotado e Fedorento mesmo...

                   Bem, como eu dizia, pego o ônibus e, quando sozinho, fico procurando algo para me distrair e geralmente paro o olhar em uma parte específica do ônibus: a alavanca da saída de emergência.

                   Estranho? É. Pode ser...mas vá lá me dizer que você, meu leitor, nunca teve a curiosidade de puxar aquilo para ver o que acontece. Certo, eu sei que a janela se abre e entendo que minha curiosidade pode estar parecendo meio infantil, mas que eu tenho muita vontade de puxar aquela alavancazinha eu tenho. Espero que nunca precise fazer isso no momento para o qual aquele sistema foi desenvolvido: um acidente.  Mas que deve ser interessante ver aquilo funcionando deve!

                   Um outro detalhe me chama a atenção ainda no que concerne a saídas de emergência.  Já notei que, em diversos modelos de ônibus, as janelas com saída de emergência ficam todas do mesmo lado. Sempre do lado esquerdo. Por que isso? Será que os ônibus só capotam para o mesmo lado? O que acontece se o ônibus capotar com as janelas da esquerda viradas para o chão? Provavelmente, alguma mente brilhante já deve ter percebido isso, pois alguns ônibus possuem saídas de emergência dos dois lados. Mas, quando pegarem um ônibus prestem atenção, diversos deles possuem as saídas apenas de um lado. Nunca entendi o motivo!

                   Estão vendo? Andar de ônibus é um esporte bastante curioso. Além de observar os diversos tipos humanos que fazem uso do transporte coletivo, você pode prestar atenção para inutilidades como esta que comentei... Outra coisa que me deixa curioso em ônibus...me ocorreu isso agora! Por que os cobradores deixam as unhas do mindinho compridas...?? Ih, deixa pra lá! Escrevo sobre isso noutro dia, por hoje já está bom!



Escrito por Felipe de Paula às 13h34
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Presente da Aranha

         Sábado à noite, estava eu sentado tranqüilamente em meu sofá assistindo um filme na televisão. Em um determinado instante comecei a sentir um cheiro extremamente desagradável. Não, não é isso, meu caro leitor! Este cronista que lhe escreve não sofre de gases. Era um cheiro diferente. Levantei e investiguei a sala. Cheirei na direção da janela para checar se o cheiro vinha de fora, olhei debaixo do tênis, procurei pelos cantos da sala e nada. Só então percebi que se tratava de um percevejo, daqueles mal-cheirosos pra cacete que estava no meu pescoço.

         Espantei-o, ele saiu voando e eu saí perseguindo o infeliz inseto. Catei um chinelo que estava no canto da sala e desferi diversos golpes que cortavam o ar, mas não chegavam perto do bichinho. A cena deveria ser um deleite para qualquer espectador afortunado que se divertiria com minha ridícula perseguição ao perça. (É! É perça mesmo! Após a convivência fui ficando íntimo do pequeno). Por sorte ninguém viu a cena, já que apenas eu e o percevejo estávamos na sala. Quer dizer, quase ninguém viu...

         Seguia eu desferindo (tentativas de) golpes no inseto e o desgraçado fugia habilmente de meu chinelo. Lá pelo quadragésimo nono golpe o sujeitinho parou no ar. Ficou preso em uma teia de aranha próxima da lâmpada. Sorri e pensei: -He, he...se deu mal amiguinho! Coloquei o chinelo no chão e, ao levantar a cabeça, pude dar mais um sorriso: a dona da teia se aproximava de sua vítima indefesa. A pequena aranha se aproximava do percevejo. Pequena mesmo! Ela deveria ser umas cinco vezes menor do que sua vítima. Porém, a vítima estava enroscada em uma teia mortal. Fugir dali? Mais fácil seria escapar de Alcatraz. Olhei para o percevejo e disse: Entrou na casa errada, meu amigo! Eu tenho meus aliados...a falta de limpeza, por exemplo! A aranha se aproximava lentamente e eu fiquei ali, observando o trabalho do predador. Confesso que cheguei a imaginar-me no lugar do percevejo! Imagine estar preso em uma teia e quanto mais você se debate mais você se prende. Seu predador cada vez mais perto...a sua morte vem chegando trazida por oito hábeis pernas. (São oito, não é? Nunca fui bom em Biologia!)

         Fiquei ali, de pé no meio da sala, olhando para cima, alguns bons minutos a contemplar, ao vivo, o funcionamento das leis da natureza. Fiquei ali, admirado com a habilidade da aranha em amarrar sua vítima. Fiquei ali...porém, após algum tempo, uma dorzinha chata começou a atacar meu pescoço. Resolvi voltar a meu filme e sentei no sofá, que fica logo abaixo da teia. Após uns cinco minutos, senti algo cair no meu colo. Um pequeno pacotinho, muito bem amarrado. Era o percevejo. A aranha deve ter acompanhado toda minha perseguição ao inseto e resolveu mandar sua colaboração. Só faltou um bilhetinho acompanhando: - Bom apetite! Gente fina esta aranha! Bem pessoal, vou parando por aqui. Está na hora de eu entregar umas mosquinhas que peguei para minha nova amiga. Pode rir, meu caro leitor! Mas acho que não custa nada retribuir um favor de uma amiga, não é? E se amanhã eu precisar dela? Pelo menos fico no crédito!

Escrito por Felipe de Paula às 09h36
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Quarta Feira

         Vocês já pararam para pensar na quarta-feira? Não, não...não é isso! Não é pensar durante a quarta-feira, é pensar sobre a quarta-feira. Pensar durante, eu acredito que todos façam. Dia de não pensar é o sábado. Mas isso será assunto para outra crônica, vamos voltar para a quarta-feira. Quarta-feira, diazinho infeliz este, não é? Ele seria uma espécie de, digamos assim, filho do meio da semana. O primogênito é adorado, o caçula também, mas o do meio é sempre o do meio. Sem charme, não é?

         O que acontece na quarta-feira? Nada. Tá certo que na quarta a noite tem um futebolzinho na tevê, mas só! O que mais? A quarta-feira não tem nenhum atrativo, nenhuma característica especial. Por exemplo: A segunda-feira é conhecida por ser um dia “pé-no-saco”. É o começo da semana, você costumeiramente pensa que terá uma semana inteira pela frente. Segunda feira, seis e meia da tarde você está “P” da vida. Acabou de terminar um dia de trabalho (coisa que você estava desacostumado a fazer, graças ao fim de semana) e ainda terá uma semana pela frente. E olha que eu nasci em uma segunda às 18:30! A terça é um dia legalzinho, pois você já se acostumou com a idéia de trabalhar e passa a encarar aquilo numa boa.

         Na quinta e na sexta-feira a história é outra. Já se cria toda aquela expectativa no aguardo do fim de semana. Você passa quarenta e duas horas esperando chegar sua redenção. A quinta e a sexta feira juntas tem apenas quarenta e duas horas, pois sexta às 18 horas você já está livre...livre para voar! (Nossa, que poético!) O fim de semana irei me abster de comentar, pois não seria necessário. Todos sabem o que o fim de semana tem de bom. Sábado e Domingo...belas palavras estas, não acham? As únicas que se livraram do desagradável sufixo “-feira”.  Mas e a quarta-feira? O que tem demais? Nada. O dia não é começo de semana, nem fim. Está no meio. Sem função. A quarta-feira não te agrada nem desagrada. Se eu fosse a quarta-feira, pediria transferência para uma outra colocação na semana. Ficar nesta posição, não ficaria! Talvez a quarta-feira poderia arranjar um outro dia para substituir-lhe como meio de semana e pedir transferência para depois do domingo. Passaríamos a ter uma semana com oito dias. segunda-feira, terça-feira, nova-feira, quinta-feira, sexta-feira, seriam os dias de trabalho. O final de semana seria composto pelo sábado, domingo e pela quartamingo...ou quartábado.  Três dias de descanso sem “-feiras” para encher o saco.

         Pelo bem da quarta-feira, penso em institucionalizar minha idéia. Levarei está idéia a frente. A quarta-feira não pode continuar sendo tão discriminada. Um dia inocente, que nunca fez nada a ninguém...por que tanto desprezo? Talvez porque nunca tenha feito nada a ninguém.... Mas isso não é nada! Levarei meu projeto de defesa da quarta-feira aos políticos de Brasília. Pedirei que se faça um projeto de lei mudando as condições da quarta-feira...lá se aprova cada coisa absurda que mudar a posição da quarta-feira não seria nada de excepcional.



Escrito por Felipe de Paula às 11h03
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Jogo de Bola

          Hoje, no final da tarde, vinha eu caminhando pela rua e vi alguns garotos jogando bola. Percebi a empolgação aplicada na partida disputada em um palco, para eles, gigantesco: uma pequena área cimentada diante de uma igreja. Achei a cena extremamente interessante, já que ela me lembrou do tempo em que era eu, acompanhando de meus amigos, um dos personagens da partida.

         Fiquei ali, diante da igreja, parado por alguns instantes observando o jogo dos garotos. Eu era o único espectador da partida, mas garanto que eles não pensavam assim...eu não pensava assim quando jogava. O campinho em que eu disputava partidas era uma área de terra batida no centro do conjunto de prédios em que eu morava. As varandas dos apartamentos que nos cercavam se transformavam em arquibancadas, que, apesar de vazias, em nossas mentes estavam completamente lotadas. Entravamos em campo e disputávamos nossas partidas fazendo nossa função de jogo e também de narrador. Cada jogada era narrada pelo próprio jogador. A empolgação na narração era capaz de tornar Galvão Bueno um homem extremamente comedido. Em nossas narrações transformávamos o passe mais simples em um lançamento magistral, o lance mais humilde em momento divino, um golzinho bobo em um gol de placa. E depois desse gol, saíamos correndo, vibrando, imitando a comemoração dos craques da época. Quase que podíamos ouvir a torcida gritar nosso nome.

         E quando um colega fazia alguma bobagem? As reclamações eram algo de extraordinário. –Pô, rapaz! Eu abri na esquerda pra você entrar cruzando! Você tem que se ligar, cara! E por aí vai...todo aquele que teve a infelicidade de, assim como eu, nascer sem muita habilidade futebolística sabe o que é este tipo de coisa. As reclamações mais agressivas eu me poupo de transcrever, poderia ofender alguns leitores. Cada joguinho rendia assunto para uma semana inteira...ou mais! As mães, os pais, os primos, os tios, os avós e, é claro, os colegas, passavam um bom tempo ouvindo os comentários de tudo o que aconteceu na partida. –Aí, o Fábio passou e eu marquei um golaço, viu mãe? Tá ouvindo? ... -Pai, a gente tava ganhando de três a um, daí o Marcos fez um monte de besteira e o outro time virou pra cinco a três. O Marcos é fogo, viu pai? Quando os garotos chegam na escola vão contar para os que não participaram tudo o que aconteceu...se o perna de pau estudar na mesma escola é imediato: vira alvo de brincadeiras por um bom tempo.

         Ai, ai, meu caro leitor...hoje você teve que aturar uma, digamos assim, “sessão nostalgia” deste escritor. Foi uma experiência legal ver os meninos jogando na frente da igreja e perceber que, por mais que o tempo passe, as belezas da infância continuam as mesmas. O mundo mudou bastante, mas pelo menos em algum momento, meu avô brincou igual ao meu pai, meu pai brincou igual a mim, eu brinquei da mesma forma que meus filhos um dia irão brincar. Que saudades dos meus onze anos...

Escrito por Felipe de Paula às 21h02
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